A foto do ano
terça-feira, janeiro 04, 2005
 O mar, quando quebra na praia... pode ser terrível! Croco Press
Depois de uma boa semana de praia no Guarujá, recarregando as energias com a família, retorno ao batente ainda com as imagens do maremoto do sudeste asiático na memória. O terremoto e as ondas gigantes que dele resultaram mataram milhares de pessoas no sudeste asiático, alteraram a rotação do planeta e deslocaram a ilha de Sumatra e diversas outras por cerca de 20 km Oceano Índico adentro. A mim - e creio que a boa parte da humanidade - reavivou uma angústia que há tempos estava neutralizada: a de que uma catástrofe natural pode, de uma hora para outra, destruir tudo.
Será que voltaremos a uma tensão que estava em voga na década de 1970, quando muito se especulava sobre o assunto (graças talvez ao avanço tecnológico cada vez mais espetacular da ciência)? Naquele tempo, quanto mais descobríamos sobre o planeta e nosso papel no universo, mas ficava claro o quanto somos frágeis. Cometas, vulcões, maremotos, terremotos, derretimento da calota polar, buraco na camada de ozônio, buracos negros, explosões solares, desmatamento, era só escolher a catástrofe. Pegando carona no sentimento coletivo, foi lançado em 1979 o livro Escolha a Catástrofe, de Isaac Asimov. Não achei o livro nas livrarias online brasileiras, deve estar fora de catálogo, mas não duvido que seja relançado por conta do que aconteceu lá do outro lado do mundo dias atrás (capitalismo é oportunismo...). Li quando garoto e ficava imaginando qual catástrofe eu NÃO queria. E um maremoto estava entre uma das mais terríveis, para mim.
A foto acima, da France Press, dá bem a idéia do meu temor. Cinco pessoas, provavelmente turistas de um balneário tailandês, correm desesperados por entre pedras, corais, observados por uma mulher que me parece atônita (ela está de costas, eu sei, mas só pode estar atônita ao presenciar tal cena, na manhã de um belo dia de sol), talvez gritando para os fugitivos (amigos? parentes? companheiros de hotel apenas?) se apressarem porque a imensa espuma branca se aproxima fatalmente... A foto foi feita com uma teleobjetiva, que aproxima os objetos da imagem (ou seja, a onda não está tão perto assim deles...) mas mesmo assim, não creio que esse grupo tenha sobrevivido. Devem ter sido alcançados em questão de segundos... É de arrepiar. (adendum: fiquei sabendo pela minha amiga Paula Quental que todos os que aparecem na foto sobreviveram. Renasceram, com certeza...)
A foto ilustrava uma matéria do caderno Aliás do jornal O Estado de São Paulo de domingo passado, intitulada 'Um trailer do apocalipse', assinada por Sérgio Augusto. Não consegui tirar os olhos da foto. A matéria é bem escrita, mas uma bobagem. O autor levanta a hipótese do terremoto-maremoto ter sido um prêambulo do que estar por vir devido à ação predatória do homem na natureza. Por maior que seja minha simpatia pelos ambientalistas e sua causa, acho que ele forçou a barra. Juntou alhos com bugalhos. Os furacões de Santa Catarina são mais representativos dos efeitos colaterais ao progresso humano do que as ondas gigantes provocadas pelo terremoto sub-aquático. Não há protocolo de Quioto que possa evitar o que aconteceu no dia 26 de dezembro de 2004. As quase 150 mil mortes (e contando...) têm mais a ver com política e economia do que com ecologia...
Pelo que disse expûs acima, a foto mais representativa do que aconteceu no sudeste asiático teria que ser uma que mostrasse destruição e morte em povoados miseráveis no Sri Lanka ou em Sumatra. Mas pela carga de tensão que esta aqui carrega, voto nela para a melhor fotografia de 2004 - esperemos pelo próximo prêmio World Press Photo.
Para quem não entendeu ainda o que é uma tsunami (ou seja, maremoto provocado por terremoto), eis uma boa página para explorar o assunto.
Nela, encontrei esta simulação de um maremoto ocorrido na década de 1960, que começou na costa do Chile e matou 200 pessoas no Japão!
# Jorge Cordeiro @ 22:55
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