O Escriba
v2.0
Uma minoria só é impotente quando se amolda à maioria (Henry D. Thoreau)

Encruzilhadas
         sábado, outubro 29, 2005


         
O aviso veio semanas atrás: "Pô, Jorge, tu devia escrever mais sobre música". Realmente, é um assunto que me atrai pacas, o Fábio sabe e por isso me deu o toque. Mas tinha que ser justamente no momento que estou numa puta dúvida sobre como tocar a porra do blog ou mesmo se devo continuar com o blog? hehhehe, foda heim amigo? Aí vem outro viado, o Passamani e bota pilha pra eu aderir a um outro sistema, o Wordpress, que realmente é bem mais maneiro que esse blogspot, e aí emenda e pede pr'eu mudar o nome, não gosta de escriba, acho que tenho que debandar de vez pro gonzo, zoar geral texto, temas, idéias, fatos, o catzo.

Ou seja, acha uma merda o que escrevo, mas até aí no problem, eu também. Faz tempo. Vivo em crise, acho que estou involuindo, já escrevi melhor (olha a pretensão...), e estou sem foco. Sou míope, devo avisar, mas a porra do foco é foda mesmo. Curto uma porrada de coisas, música, tecnologia (principamente esse admirável mundo novo da internet), esportes, cultura em geral, política (pensei em escrever sobre a nova pilantragem da Veja, matéria de capa cujos pilares têm como fonte um morto, mas enfim, deixa quieto...), ser humano (cada vez mais urco do que nunca), o jornalismo (mesmo que falido), a vida enfim. Daí escriba. Quero escrever. Bem ou mal, mas escrever.

Por isso curto o nome. Aceitei mudar pro Wordpress, mas o escriba fica, e vai virar .org, 60 paus por ano (é isso mesmo, maratimba?), vou ter enfim uma página pra empresa e pros meus trabalhos. Vou começar a garimpar os meus textos perdidos pela internet, quem tiver algum link, mandae! "Seu currículo?", e eu pimba! www.oescriba.org. Em breve, em breve...

Mas voltando, a vida é encruzilhada, sempre. É tudo 0 ou 1, os computadores tão aí e não me deixam mentir. Ou vc vai ou não vai, é sim ou não, ou dá ou desce, ou mata ou morre. O talvez, que é primo do quase e do se, é um não depois do sim (ou vice-versa) seguido de outro não, depois um sim, e por aí vai... Os tons de cinza estão aí só pra confirmar o preto e o branco.

O Escriba quase se chamou Caleidoscópio não foi à toa. Quero falar mais de música, dos dois discos que desencavei aqui em casa que são ducaralho, o 13 do J.J. Cale e o Stephen Stills 2, ambos antigos pacas, sonzeira que ninguém mais fala sobre, porra, e os dois estão vivos!!! Será que não tocam mais? Desaprenderam? Será que só eu e meus camaradas conseguimos ficar ligados nas novidades e também nas velhas e boas antiguidades? Prefiro deixar-me desatualizar sobre muitos lançamentos do que perder de vistas figuras como J.J. Cale e Stephen Stills. Don't believe the hype, os marqueteiros não têm a mínima chance comigo.

Mas aí a porra da antena parabólica aqui pesca três cientistas políticos discutindo o referendo (ainda ele...) na Globonews e já quero meter o bedelho. Os caras estão quebrando o pau e qual ibope do programa, 0,02 ponto? Se eu puder aumentar 0,02 já valeu. Mas aí o foco vai pro espaço.

E vai de novo agora porque a Ana está me chamando pra gente ver o primeiro capítulo daquela série da HBO sobre Roma que o pai dela gravou e me emprestou. São duas horas de viagem pelo tempo, a série televisiva mais cara de todos os tempos. Se vacilar, será o próximo tópico deste escriba que vos enche o saco... :)

Em tempo (nem tanto, escrito horas depois): o Martim ganhou medalha de peixinho hoje, na aula de natação, foi a tropa toda ver (Eu, Ana, Sofia, Tia Bia, Vovó Rogui). Fotos e mais fotos, alguns filmes também. Fotos até rolam depois, filmes só depois que for .org.


         # Jorge Cordeiro @ 20:08

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Jano em Dvd
         sexta-feira, outubro 28, 2005


         

Rio de Jano, documentário sobre a visita do desenhista francês ao Rio de Janeiro saiu em DVD! Tem na Fnac, 2001 Vídeo, Livraria Cultura e Saraiva.

O filme é bem legal, vi na época do seu lançamento em 2003. Jano é um figuraça e foi levado pelos produtores do filme (Anna Azevedo, Renata Baldi e Eduardo Souza Lima) para 'n' lugares do Rio, dos mais turísticos aos mais podreiras e alternativos. O cara pirou com o que viu, ouviu e sentiu. Além do documentário, há também um caderno de viagem bem legal, que registrou como poucos as nuances do Rio de Janeura. Os personagens do Jano, sempre animais humanificados (ou seria o contrário?), ficaram bem em cenários cariocas. Só faltou o Kebra na Lapa...

Vamos contribuir para o Zé José comprar sua cobertura na Vieira Souto, pessoal!


         # Jorge Cordeiro @ 17:40

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Mulambada
         quinta-feira, outubro 27, 2005


         
Digitem essa palavra no Google e vejam qual o primeiro link que aparece...


         # Jorge Cordeiro @ 11:36

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Drupa de 2

         

Dois moleques chineses, com um puta tempo livre, webcam, computador e músicas do Backstreet Boys decoradas. Só podia sair isso e isso. Reparem no terceiro figura, só na moita... Valeu Maratimba!! (Esse é um dos caras mais antenados que eu conheço e seu blog vale à pena praca. Agora então, que se juntou com uns lôko que nem ele, haja informação!!

Tanto o Ranxerox como o Academia estarão agora permanentemente linkados n'O Escriba, para consultas diárias. Opa!


         # Jorge Cordeiro @ 00:43

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Nana monstrinho...
         terça-feira, outubro 25, 2005


         
Nasceu um monstro. E ele está sendo alimentado com muito amor e carinho por grandes companhias de tecnologia...


         # Jorge Cordeiro @ 22:06

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A gripe aviária chegou!

         

E começa a fazer estragos no ninho tucano. O presidente do PSDB, Eduardo Azeredo (MG), acaba de se afastar do cargo, porque também o seu partido se utilizou de empréstimos do Valério na campanha de 98 a governador de Minas. Mensalão? Não, o bom e velho caixa 2.

Estou assistindo ao vivo pela Globonews, tá engraçado ver tucanos como Arthur Virgílio e pefelês como José Agripino Maia espevitados tentando justificar o tal empréstimo de R$ 700 mil... é, nos olhos dos outros é refresco, né mesmo? E se cavucarem bem encontram o caixa 2 do PFL, do PMDB, até do PSOL que já tem seu escândalo, mesmo tão novinho que é...

É a política, meus caros! Bem vindos ao mundo maravilhoso da política. Welcome to the machine.

Mas deixa eu continuar assistindo ao chilique tucano.


         # Jorge Cordeiro @ 21:06

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Nudez

         



Herr Bornhausen desnudo!


         # Jorge Cordeiro @ 18:00

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E Diadema disse 'sim'...
         segunda-feira, outubro 24, 2005


         
A cidade já foi considerada a mais violenta do Brasil. A população e o poder público lutaram muito para mudar o cenário das coisas. Estão tendo bons resultados. Afinal, eles entenderam que, às vezes, direitos individuais podem ser limitados em prol do bem comum. Neste domingo, tentaram ajudar o Brasil a dar um passo adiante, mas foram derrotados. Será que só vamos cair na real quando chegarmos onde Diadema chegou anos atrás?


         # Jorge Cordeiro @ 01:12

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Os "Urcos" venceram...
         domingo, outubro 23, 2005


         


Impressionante como teve gente boa e esclarecida defendendo e votando NÃO nesse referendo sobre a comercialização das armas. Houve até quem associasse Thoreau, pacificista americano do século 19 que apadrinha este blog, com o voto contrário à proibição do comércio de armas. Haja malabarismo intelectual!

Mas será que essas figuras teriam coragem de dar a cara a tapa e sair de braços dados pelas ruas com os ilustres defensores dos direitos do cidadão como Onyx Lorenzoni, Jair Bolsonaro, Bornhausen, Enéas e afins, para comemorarem a vitória?

É, parece que a esperança de darmos um passo adiante na discussão e solução dos crimes por armas de fogo foi por água abaixo. Agora é cada um por si e deus contra todos. Quer saber? A gente merece... É triste ver pessoas inteligentes cairem no conto do direito individual, do referendo como cortina de fumaça, da possibilidade de desarmarem a populaçao para instalarem uma ditadura comunista, enfim.... Os ogros, os Urcos (aquele general-gorila do Planeta dos Macacos), os trogloditas venceram, mais uma vez... e agora com apoio de muitos que se consideram progressista. Como bem dizia Goethe: a maior habilidade do diabo é não se fazer notar...

Ainda assim, defendo a realização de novos referendos, que são a democratização da democracia. Que venham novas questões, sobre pena de morte, redução da maioridade penal, legalização das drogas, aborto, casamento de homossexuais e afins, até mesmo sobre a realização de novos referendos. Vamos mostrar de uma vez ao mundo que o Brasil realmente é: um país retrógrado, conservador e pronto. Se esse é o país que o brasileiro quer, que seja! País do futuro é uma ova! Segurem seus terços, ajeitem seus coldres e gritem a plenos pulmões: Nos livramos, enfim, dessa raça!!!

(texto escrito como comentário no Comunique-se (só para cadastrados). Achei que valia como tópico aqui n'O Escriba também)


         # Jorge Cordeiro @ 15:27

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Caê x Veja

         

Nunca fui muito fã do Caetano Veloso, mas ao ler este artigo dele sobre uma carta que enviou à revista Veja (e eles evidentemente não publicaram), o cara ganhou pontos comigo. Em homenagem, vou já pôr o único disco que tenho dele, Transa (1972), pra tocar...

I walk down Portobello road to the sound of reggae
I’m aliiiive...


         # Jorge Cordeiro @ 10:05

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O Brasil que o brasileiro quer
         sábado, outubro 22, 2005


         
Antes de votar no domingo, vc tem que escutar esta entrevista, feita com um traficante do morro do Dendê, no Rio, chamado Xaxim. Cortesia do Cocadaboa. Xaxim é o maior cabo eleitoral dos que defendem o comércio das armas. A credulidade da 'reporti' é de dar vergonha a nós, jornalistas...

Não foi só o medo que venceu a esperança não. A mentira também...

Mas acho que, mesmo que tipos como Jair Bolsonaro, Jorge Bornhausen e ACMzinho vençam no domingo, com o NÃO no referendo, quero mais referendos sobre temas polêmicos como pena de morte, aborto, redução da maioridade penal, casamento entre homossexuais, legalização das drogas e por aí vai. A população tem que participar diretamente dessas decisões. Vai ser ludibriada novamente, é verdade, mas pelo menos não terá como pôr a culpa nos políticos. Temos que assumir nossas responsabilidades também. Se o povo quer que o Brasil continue atrasado, violento, preconceituoso e coronelista, que assim seja.


         # Jorge Cordeiro @ 12:23

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Martim na praça
         quarta-feira, outubro 19, 2005


         
 

Não é pra me gabar, mas o moleque tá bonitão... :)

(se tu é cegueta, clique na foto)  Posted by Picasa


         # Jorge Cordeiro @ 00:41

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Homem de bem
         terça-feira, outubro 18, 2005


         
Meu camarada Fábio José de Mello me passou este artigo do Marco Aurélio Weissheimer, jornalista da Agência Carta Maior, no qual é revelado o perfil desse tal "homem de bem" tão citado pelos defensores do comércio de armas no Brasil. Pelo o que li, é um sujeito bem esquisito... e perigoso!


         # Jorge Cordeiro @ 00:28

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Bandido quer o "NÃO" no referendo
         domingo, outubro 16, 2005


         
O melhor argumento contra a comercialização das armas no Brasil (e no mundo) foi dado na matéria Arma não assusta. Palavra de bandido, de Luciana Garbin, publicada hoje (domingo) no Estadão. Nela, condenados por assalto afirmam ser ilusão associar arma em casa a maior segurança.

Diz um rapaz de 25 anos, preso por roubo:

"Quando é para roubar, rouba. Se ladrão tivesse medo, não roubaria carro-forte. Não tem tanta gente armada dentro e assaltam do mesmo jeito?"

Ou seja: o argumento de que o fim da comercialização tira o direito da população de se arma e se proteger dos criminosos é BALELA.

Pelo contrário, a bandidagem tá louca para que o 'NÃO' vença justamente para manter sua principal fonte de armas: os manés que compram um revólver, os deixam no armário e os entregam no primeiro assalto que sofrem...

Só pra refrescar a memória: cerca de 80% das armas apreendidas com os bandidos são NACIONAIS, foram fabricadas no Brasil. E como caíram nas mãos dos bandidos? Em sua grande maioria, foram roubadas de pessoas que as compraram legalmente (ou não), em assaltos a residências.

Mais um depoimento registrado na matéria:

"Se fosse eu, não confiava nisso de que arma defende cidadão", diz Roberto. "Se souber que tem arma, já fico preparado. Qualquer movimento da vítima você pensa que ela vai pegar a arma e fica mais fácil assassinar a pessoa. Não que a gente queira, mas você sabe, né? É o mesmo que roubar policial. Sabendo que tá armado, você atira. Porque ele atira pra matar."

Os defensores do 'NÃO' no referendo estão enganando a população. A elite brasileira, mais uma vez, está fazendo prevalecer seus direitos em detrimento do bem-estar da sociedade. Batem na tecla de que estão querendo tirar direitos, de que a população vai ficar indefesa, que a insegurança vai aumentar... Não caia nessa.

Quando fico sabendo que um sujeito como Jair Bolsonaro saiu em passeata defendendo o 'NÃO', é impossível não votar no SIM no dia 23 de outubro.


         # Jorge Cordeiro @ 12:19

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Morte ao picles!!
         sábado, outubro 15, 2005


         


Este domingo, dia 16 de outubro, é o dia mundial de boicote ao Mcdonald's, um dos maiores símbolos mundiais do desrespeito às pessoas, aos animais e meio ambiente.

Em São Paulo, haverá uma manifestação no McDonald's da avenida Paulista que fica próximo à Brigadeiro. O encontro está sendo agendado às 14 horas na estação do metrô Brigadeiro.


         # Jorge Cordeiro @ 17:10

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Vento que traz energia, traz morte também

         

As fontes renováveis de energia, como ventos, sol e biomassa, são consideradas as mais ecologicamente sustentáveis para o nosso combalido planeta. Mas como tudo na vida, há senões. Vide o que vem ocorrendo em São Francisco com a indústria de energia eólica.


         # Jorge Cordeiro @ 01:13

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Tsunami midiática

         

Quando essa onda chegar pra valer, vai pegar um bocado de jornalista por aqui desavisado...

Em meio à explosão de iPods (de MP3 e vídeo), câmeras digitais, internet sem fio, palms, celulares, palms e celulares com potentes câmeras digitais e internet sem fio, VoIP, blogs, SMS, XML, DVDs Blue Rays, Skype, família Google, laptops a preços de banana, etc etc, e ainda tem gente boa achando que jornal é eterno porque dá pra levar pro banheiro!! (sério, já ouvi e li essa argumento dito pra valer!!) Tá fudido...


         # Jorge Cordeiro @ 00:37

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Uma nova mídia, por favor!

         

Eu topo! Mas entro como sócio-proletário, porque $$$ que é bom, necas...


         # Jorge Cordeiro @ 00:30

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Querem acabar com os botecos!!
         sexta-feira, outubro 14, 2005


         

A Paulistinha, Academia da Cachaça, Adega Bacalhau do Baixinho, Adega D’Ouro, Adega da Costelinha, Adega da Velha, Adega do Timão, Adega Flor de Coimbra, Adega Pérola, Adega Ramos, Adonis, Antigamente, Armazém Santo Antônio, Bar Brasil, Bar Budo, Bar da Amendoeira, Bar da Dona Maria, Bar do Costa, Bar do Mineiro, Bar do Serafim, Bar do Zé, Bar Lagoa, Bar Luiz, Belmonte, Bip Bip, Botequim do Jóia, Botequim Informal, Bracarense, Café Gaúcho, Capitania dos Copos, Casa da Cachaça, Cervantes, Codorna do Feio, Cosmopolita, Jobi, Lamas, Meu Kantinho, Nova Capela, Ocidental, Opus, Palácio, Paladino, Pavão Azul, Picote, Real Chopp, Rebouças, Salete, Sobral da Serra, Sujinho, Villarino.

Essa é a lista dos 50 botecos de um guia carioca sobre o tema. Um acinte. Sim, porque muitos dos estabelecimentos dessa lista acima NÃO são botecos. Alguns são restaurantes (caso do Nova Capela e do Lamas), outros são bares badalados da zona sul (Cervantes e Academia da Cachaça) e há também aqueles ultrapassaram a barreira botequeira, pela tradição, requinte e fama (caso dos Bares Luiz e Brasil, o Serafim e o Bar Lagoa). O guia está em sua sétima edição, alguns nomes podem ter saído, outros entrado, mas pelo critério usado, o erro provavelmente foi continuado. É um desserviço à alma botequeira carioca. Misturam alhos com bugalhos, vendem como tese de mestrado antropológica e a galera compra. Se fôssemos fazer um paralelo com São Paulo, seria mais ou menos como a lista do Boteco Bohemia, em que marketeiros - a versão paulista dos 'estudiosos' cariocas - misturaram 'pé-sujos' legítimos como Bar do Biu e Valadares com nomes da moda como Jacaré Grill, Frangó e Salve Jorge. Opa, peralá! Ok, eles só podiam escolher bares que vendem a cerveja Bohemia, mas nada justifica a inclusão do Salve Jorge, um bar legal e tal, os Jorges têm desconto, mas NÃO É BOTECO...

A lei de Goebbels não pode vingar... não com os botecos! :)

(Em tempo: já fui em quase todos os botecos das listas do guia carioca e do concurso da Bohemia. Gosto da maioria. Mas não me venham empurrar bar, restaurante e afins como botequim. Não adianta, não cola!)


         # Jorge Cordeiro @ 09:08

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Fome Zero é 10
         quinta-feira, outubro 13, 2005


         
E o Fome Zero, heim? Nêgo detonou pacas o programa no início, dizendo que era populismo raso, que não funcionaria, que o país tinha mais gordos do que famintos (segundo pesquisa do IBGE), que estava fadado ao fracasso e tal. Quase três anos depois, organismos internacionais (entre eles o Banco Mundial) aplaudem a iniciativa e a indicam como exemplo para outros países. Na hora de bater, o programa - que estava iniciando e por isso mesmo tinha erros aqui e ali - estava sempre nas páginas dos jornais; agora que maturou e é um sucesso, nadica de nada... Será que bom jornalismo é só aquele que fala mal, que detona, que joga pra baixo? Elogiar é proibido? É jornalismo chapa-branca?


         # Jorge Cordeiro @ 09:41

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Fim do impresso?

         

Tá rolando uma discussão boa no Comunique-se (só para cadastrados, digrátis, mete bronca) sobre o possível fim do meio impresso. Foi este artigo aqui que suscitou o bate-boca. Acho bem plausível. De minha parte, cada vez menos leio jornal impresso ou revista, fica tudo antigo, vivo lendo na internet. A luz do monitor nem me cansa mais, já acostumei - pra desgraça da minha miopia, com certeza...

Muito se fala que a TV não acabou com o rádio e a internet não detonou a TV, e daí as mídias impressas também resistirão à internet. É misturar alhos com bugalhos. TV e rádio são meios eletrônicos, magnéticos, não têm papel como veículo transmissor de informação. A agilidade e quantidade de informação que se produz atualmente não é compatível com a mídia impressa e será cada vez menos, na minha opinião. Talvez não estejamos mais aqui pra comprovar isso, mas a queda nas vendas de jornais e revistas já está acontecendo.

Enfim, o mundo gira, tudo muda, a fila anda...


         # Jorge Cordeiro @ 09:20

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Um dia na praça

         

Eu quero que um dia na praça se faça para sempre, um dia apenas e dure pela eternidade, no banco sentar, pensar, respirar, ver o dia passar, as pessoas sorrirem, cumprirem o trato, acenarem felizes, crianças rolarem, caírem, chorarem, o vagabundo dormir e sonhar? o pássaro passar e ter su'atenção, os olhos soltos por aí, em árvores, galhos, folhas, o caminho a tomar... qualquer um levará, e vou pela praça a andar, a circular, a correr, suar, quero uma praça pela eternidade, para rir, chorar, sonhar, viver, comer, brincar, brincar, brincar, uma praça, só uma praça. Deixar lágrimas na areia e vê-la sugar, molhar, talvez secar, mais uma lágrima, o sorriso a enfeitar, aquele rosto infantil, talvez seja eu a tentar mais uma vez ser o que não sou, ou fui e não sei, andar, andar, parar quando não mais der pra seguir, até onde consigo me atirar no nada e voltar? Até quando? Tenho tempo, ainda, mas sobra menos e menos, dias passam, outra praça virá, outra praça, deixe-me lá quando por ela passar. Só volto agora porque tenho que ir, as lágrimas não secam jamais, o riso é eterno, mais amarelado, e fiel ao sonho de quem jamais teve qualquer vontade de fazer o que já foi feito. As crianças estão lá, vc não está, eu já fui e quero mais uma praça, pra sonhar mentiras que me aproximaram de um abismo, de um por quê sem fim. Não quero voltar, à praça talvez, mas desejo soltar, um nó, sem som, sem dó, a sós, ter enfim, um sonho na praça, e se puder, por lá ficar.


         # Jorge Cordeiro @ 00:40

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Ave Google!
         segunda-feira, outubro 10, 2005


         
Há quem veja na movimentação do Google um plano de dominação mundial, mas teorias da conspiração a parte, os caras são dos poucos que realmente entenderam a internet e estão montando um negócio bem estruturado e duradouro. E lucrativo, claro. Para eles e para nós, porque temos assim a informação do ciberespaço organizada - e do jeito que quisermos. Essa é a alma da internet. Tentaram transformá-la num grande shopping virtual, mas ela é muuuito mais do que isso...

O Elio Gaspari falou sobre isso domingo e trascrevo aqui (dica do camarada Ricardo Amorim):

A boa briga: Google x Microsoft
Quem fez mais pelo conforto e pelo bem-estar da classe operária: Fidel Castro ou Levi Strauss? Em 1873, na Califórnia, Levi cortou uma lona de carroça e produziu a primeira calça jeans. Naquele ano, notícia importante era a roubalheira do governo do general Grant, reeleito presidente dos Estados Unidos.
As grandes mudanças ocorridas na vida da humanidade geralmente acontecem sem grandes coberturas jornalísticas. Numa época em que lideranças como Lula e George Bush parecem ser o início e o fim das coisas, há uma boa briga para prestar atenção: Microsoft x Google. Ela junta criatividade, inteligência e riqueza. É um bálsamo contra mensalões e improvisos.
De um lado está a Microsoft de Bill Gates, 50 anos/US$ 46 bilhões. Do outro, o Google de Larry Page, 31 anos/US$ 4 bilhões, e de Sergey Brin, 31 anos/ US$ 7 bilhões. Gates vende programas e licenças. Os outros dão seus acessórios de graça. Tanto o instrumento de busca como um endereço eletrônico de 2 gigabytes (500 mil páginas de texto). Ganham dinheiro com a publicidade que vendem.
O Google está recrutando as melhores cabeças do mercado e acaba de comprar a programadora Sun. Oferecerá programas livres, como o OpenOffice, parecido, para pior, com o Office da Microsoft. Mais: anunciou que conectará os computadores de São Francisco por ondas de rádio, sem cabos, tarifa de banda larga ou mesada de provedor.
Ficção científica: o Google (ou a próxima fábrica de sucessos da rede) conecta os computadores das grandes cidades de todo o mundo, e a patuléia faz suas ligações telefônicas de graça. Em vez de comprar as caixas do Office Standard de Bill Gates por algo mais de R$ 1.000, o sujeito usa o OpenOffice baixado do Google.
Assim como Bill Gates sacou que os grandes fabricantes de máquinas não entenderam que o negócio de computadores estava nos programas, o Google pode ter sacado que na internet dá certo o que é grátis. (trecho da coluna do Elio Gaspari, publicada neste domingo na Folha e n'O Globo)


         # Jorge Cordeiro @ 18:44

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Negri e Zappa

         

Um momento agenda n'O Escriba: dia 23, domingão, tem The Central Scrutinizer Band no Café Piu Piu, no Bexiga, a partir das 21h30.

E na quarta-feira, dia 26, o filósofo italiano Antônio Negri lança o livro Multidão - Guerra e Democracia na era do Império e Global-Biopoder e luta em uma América Latina globalizada (ed. Record), no Teatro Oficina, em São Paulo (rua Jaceguai, 520 - Bela Vista - Tel: 3104-0678 / 3106-2818).

Bora?

Por falar em Negri, recomendo a entrevista que ele deu a Carlos Marchi, do Estadão, publicada domingo no caderno Aliás. Negri fez uma defesa apaixonada do governo Lula mas evidentemente isso não ganha nenhum destaque na edição. A entrevista é capa do caderno e tem as duas páginas centrais, mas não há referência aos elogios a Lula nos títulos, subtítulos e legendas, só um enigmático "E diz que Lula vencerá" no final do subtítulo da página dupla interna. Enfim, jornalismo é a arte de editar (ao belprazer de quem manda, claro) a realidade, bola pra frente...

Segue um trecho:

O senhor acha que Lula fez avançar as conquistas da esquerda na América Latina?

Eu acredito que a democracia latino-americana conquistada através de Lula é irreversível. Lula vencerá. Vencerá! E eu espero que, no próximo governo, ele consiga mobilizar os movimentos sociais por dentro e não simplesmente atrelá-los ao governo. Eu penso que as grandes forças sociais, e sobretudo as grandes forças sociais da multidão, populares, étnicas, possam movimentar-se dentro do âmbito do governo. Eu espero que tudo isso venha a acontecer no novo mandato que Lula terá. E quando estiver no Brasil insistirei, onde quer que seja, e sempre, sobre este tema. Lula não é um ditador, nem é um corrupto, é um homem que conseguiu construir uma nova idéia de democracia para a América Latina inteira. É o único que trouxe uma proposta renovadora e a apresentou em condições realistas, começando por um nível mundial, um nível global. Ora, esta burguesia brasileira, que esfacelou o país e que, também, destruiu, em vários momentos, a capacidade de governar de alguns de seus melhores quadros, agora é quem se indigna, querendo retomar o governo. O que seria esse governo da burguesia senão corruopção, organizado para obstaculizar a renovação e favorecer o seu próprio bolso?


         # Jorge Cordeiro @ 10:01

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A luta continua!
         domingo, outubro 09, 2005


         

Depois de longo e tenebroso inverno, o Coletivo Sabotagem está de volta ao ciberespaço! E repaginado, confiram!


         # Jorge Cordeiro @ 20:26

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Acabou a moleza

         

Hugo Chavez está botando ordem na casa, pra desgosto de quem sempre usou e abusou do quintalzão aqui...


         # Jorge Cordeiro @ 00:19

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BOTECO É BOTECO
         sexta-feira, outubro 07, 2005


         
Escrevi o texto a seguir para o Ronda Paulistana, mas reproduzo aqui porque vale ampliar a discussão.

Começou aqui em São Paulo um concurso chamado Boteco Bohemia que pretende escolher o melhor bar da cidade e o melhor petisco. São 31 bares na disputa e a eleição é direta, ou seja, são os freqüentadores dos bares que votam em urnas colocadas em cada estabelecimento. O meu candidato, Bar do Biu, está lá, firme e forte, concorrendo com uma nova delícia preparada pela Dona Edi e servida por seus filhos Rogério e Arlete: Mulatinha Assada (carne de panela com farofa de feijão).

Até aí, tudo bem. O problema é a lista dos 'botecos' participantes do concurso. Foi preparada por marqueteiros, tá evidente... Ao contrário do Bar do Biu, o Valladares e o Empanadas, alguns legítimos representantes da alma botequeira de São Paulo que estão na disputa, há vários ali na lista que não são botecos nem aqui nem em lugar algum. Ou Jacaré Grill, Galinheiro Grill, Frangó, Pé Pra Fora e Salve Jorge, são botecos, por acaso? Até bar japonês, o Sashimi Bar, tem na lista!! Peralá!

O meu vizinho de blog, o Juarez Becoza, autoridade máxima nesse assunto, vai me dar razão, com certeza. Talvez ele não conheça esses bares paulistanos, mais familiarizado que está com os botequins cariocas. Mas vou ajudá-lo: imagine se no Rio classificarem o Caroline Café ou o Bar Lagoa de boteco? Pode? Não pode!

São Paulo tem mais botecos do que imagina a vã filosofia dos marqueteiros.

Há quem diga que a cidade não tem tradição de botequins. Discordo, apesar de saber que o barato aqui é mesmo tomar cerveja em padaria. A cidade está coalhada de bons pé-sujos. E não estou falando dos botecos-disneilândia que surgiram por aqui há uns cinco, seis anos - Filial, Astor, Pirajá, Original - que têm pinta e cardápio de boteco, mas serviço e, principalmente, preços de restaurantes. São legais, eu curto, freqüento e tal, mas não os considero botecos.

Mas afinal, o que define um legítimo botequim? Preço? Localização? Arquitetura? Cardápio (ou a falta de?) Tamanho? Pra mim, é algo mais difícil de precisar: é a alma!


         # Jorge Cordeiro @ 23:25

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Mouse mágico

         

Quem nunca sonhou em poder fazer isso? :)


         # Jorge Cordeiro @ 11:44

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Direito básico
         quinta-feira, outubro 06, 2005


         
O prefeito de São Francisco quer oferecer acesso wireless à internet gratuitamente ou a preços ínfimos, para a população da cidade. "Pra mim, é um direito civil fundamental ter acesso universal à informação", disse ele (leia mais aqui). O custo seria bancado pela prefeitura em parceria com alguma empresa - o pessoal do Google já se interessou.


         # Jorge Cordeiro @ 11:38

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Tecnologia para as massas

         

Quer saber da última novidade tecnológica? Um bom caminho é o blog Engadget.


         # Jorge Cordeiro @ 10:59

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O Iluminado

         


O que não faz uma boa edição... Shining, aqui, parece um filme fofo de sessão da tarde!


         # Jorge Cordeiro @ 02:50

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Só a crítica salva
         quarta-feira, outubro 05, 2005


         
Há quem acredite, como Jorge Bastos Moreno (d'O Globo), que jornalista não deve criticar jornalista. Penso justamente o contrário. Fez merda? Ninguém melhor do que um companheiro de profissão pra apontar o erro, por conhecer bem como funciona o dia-a-dia da profissão, a rotina, os vícios. Mas nós jornalistas somos corporativistas até a medula e historicamente complacentes com 'coleguinhas'. Mas isso tem limites. A revista Veja, por exemplo, tem ultrapassado todos eles, e alguns 'coleguinhas' já não aguentam mais o tipo de jornalismo baixo e torpe que praticam por aquelas bandas.

Luís Antônio Giron, editor de Cultura da Época, foi alvo de uma matéria apócrifa da Veja, acusado de receber jabá da Warner para falar bem do novo disco da Maria Rita. É que a gravadora mandou um iPod Shuffle para alguns jornalistas com as músicas da cantora. Alguns ficaram com o mimo, outros devolveram. Nada sério, mas a Veja resolveu atacar, não porque se preocupa com a ética jornalística e tal, mas porque tem birra com a Warner, que recusou uma entrevista exclusiva na época do lançamento do primeiro disco da Maria Rita.

E aí sobrou também pro Giron, acusado de ter ficado com o iPod, o que não aconteceu, segundo ele. Giron tentou mostrar isso ao pessoal da Veja, ligou lá, falou com amigos, mas nada feito. Reproduzo aqui o trecho final da carta que ele enviou ao Comunique-se para se defender da covardia praticada pela Veja:

Quem não deve pode temer, mas precisa ir à luta. Estou pronto para polemizar mais uma vez. Até onde a grande imprensa pode avançar em supostas denúncias sem consultar as fontes, em nome de razões ocultas, que o público desconhece? Calúnia continua sendo crime ou a imprensa tem o direito de fazer o que quer em nome do espetáculo?


Vale para o Girón e para outras searas também, bien sur...

Renato Rovai, editor da revista Forum, também resolveu pôr a boca no trombone depois da última edição da Veja, em que a publicação pratica um pseudo-jornalismo para defender a comercialização de armas no país. Direito à opinião é uma coisa, o que eles fazem é outra bem diferente. Sob o manto da liberdade de expressão e de imprensa, praticam um jornalismo baixo, debochado e deturpador, e pior, vem servindo de exemplo e guia para muita gente boa da imprensa tupiniquim...

(outro bom artigo sobre essa edição da Veja é o do Alberto Dines, no Observatório da Imprensa.

Jornalista pode e deve criticar jornalista sim. Tem que escancarar as engrenagens viciadas de muitas redações. Para o bem do jornalismo.


         # Jorge Cordeiro @ 10:42

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Chavez no Roda Viva

         

Perdi a entrevista que o presidente venezuelano Hugo Chávez deu no Roda Viva da TV Cultura nesta segunda-feira. Saco, tinha me programado pra escrever um texto sobre o embate do cara com os jornalistas brasileiros. Ia ser um massacre bolivariano, tinha certeza. Pra minha sorte, meu camarada Fábio José de Mello assistiu ao programa e se prontificou a relatar o que rolou no encontro. Valeu, meu velho, espero que seja a primeira de muitas contribuições pr'O Escriba! Segue o texto:

"De terno azul-marinho, camisa branca e gravata vermelha, Hugo Chávez enfrentou com serenidade e firmeza a bancada de oito jornalistas que o entrevistaram no Roda Viva. Quem esperava encontrar um militar populista, pouco articulado e fanfarrão, decepcionou-se. Chávez provou ser um profundo conhecedor da geopolítica da América latina e fez valer a sua formação de mestre em ciência política, rebatendo cada questão com argumentos claros e objetivos – mesmo diante de perguntas capciosas, que buscavam subtrair do entrevistado críticas mais contundentes ao governo Lula e mostrá-lo como o "Fidel Castro do século 21". Minha impressão é que apenas Fernando Morais e Bob Fernandes estavam preparados para o debate, municiados de dados concretos. Os demais preocuparam-se, em alguns momentos, em desqualificar o presidente venezuelano, com a arrogância costumeira. Não tiveram sucesso.

Participam da bancada o jornalista e escritor Fernando Morais; Eliane Cantanhêde (colunista do jornal "Folha de S.Paulo"); Luiz Carlos Azedo (repórter do jornal "Correio Brasiliense"); Vicente Adorno (editor de Internacional do "Jornal da Cultura"); Ricardo Amaral (repórter da Agência Reuters); o jornalista e escritor Bob Fernandes e Lourival Sant'Anna (repórter especial do jornal "O Estado de S.Paulo").

De início, o mediador Paulo Markun questionou Chávez por retomar uma grande propriedade rural (AgroFlora) - que pertencia à empresa britânica Vestey, desde o século 19 –, loteá-la e distribui-la a trabalhadores sem-terra. O presidente então sacou do bolso do paletó um pequeno livreto e, diante de todos, mostrou a Constituição venezuelana – que permite, por parte do governo, a retomada de terras improdutivas. "A propriedade privada não é sagrada, já dizia o papa João Paulo 2°. Mesmo assim, os que se sentem prejudicados podem recorrer à justiça. A Venezuela é uma democracia".

A colunista Eliana Cantanhêde quis saber qual a diferença, nos dias de hoje, entre "direita e esquerda". Chávez citou o lema da Revolução Francesa como exemplo a ser seguido pelos esquerdistas e fez duras críticas ao Consenso de Washington, que aprofundou ainda mais o abismo social que assola a América latina. Segundo ele, o neoliberalismo – modelo defendido "pela direita" - vem sendo abandonado, em maior ou menor grau, por países que elegeram presidentes mais afinados com as demandas sociais. Cantanhêde tentou, ainda, provocar Chávez, perguntando o que ele achava do governo Lula ter uma suposta "aprovação das elites". Ele recusou-se a responder a pergunta, por questões diplomáticas, e reafirmou a confiança depositada no presidente e no povo brasileiros. Por fim, quis saber se o entrevistado considera-se "Deus ou diabo". "Os dois", foi a resposta.

No momento em que escrevo esse texto, confesso que recorro apenas ao reservatório da memória. Posso, portanto, não citar passagens importantes. Mas, vi em Chávez um político determinado em levar até o fim o projeto de "revolução bolivariana", mesmo que para isso seja capaz de distribuir cem mil fuzis de última geração aos venezuelanos, para que estes defendam a soberania nacional de uma possível invasão ianque. "Temos esse direito", justifica. Numa primeira leitura, pode parecer apenas bravata. Porém, em caso de agressão externa, como vai se comportar um povo que, pela primeira vez na sua história, recebe investimentos importantes na área social? – como remédios gratuitos e acesso ao que há de mais moderno na medicina, a preços módicos. Em um ano e meio, a Venezuela estará livre do analfabetismo. E, juntamente com Cuba, formará 20 mil "médicos populares", que trabalharão junto às camadas mais pobres da sociedade.

A "farra" terminará quando o preço do petróleo cair? Talvez. No entanto, em 1979 o barril de petróleo estava cotado em U$ 100; hoje, U$ 64 (salvo engano). A diferença é que os dividendo da estatal PDVSA, com Chávez, voltam-se agora para os menos favorecidos. Só nos últimos meses foram investidos U$ 500 milhões em projetos sociais. E os venezuelanos têm a absurda reserva de 300 bilhões de barris de petróleo. Os EUA, 20 bilhões.

Eixo do Mal? Na visão do presidente – ou "revolucionário", como faz questão de intitular-se -, Brasil, Argentina, Uruguai e Venezuela podem constituir um eixo econômico robusto, capaz de propor parcerias com países da União Européia, África e Oriente Médio. Essa união, entretanto, não se daria apenas no âmbito comercial, mas também no campo cultural. Opinião compartilhada pela cantora Beth Carvalho, que fez uma pergunta (previamente gravada) ao convidado a respeito da TeleSul e reafirmou a sua admiração pelo "revolucionário bolivariano". Chávez fez questão de lembrar de uma visita que os dois fizeram ao Morro da Mangueira, que o fez pensar na necessidade de se recuperar os aspectos culturais da região – da arte à culinária. Segundo ele, Lula fez bem ao instituir a obrigatoriedade do curso de espanhol na grade curricular das escolas públicas brasileiras.

Causou estranheza nos entrevistados um homem tão aparentemente destemido falar constantemente na morte, em diversas situações. Chávez disse que já fora desaconselhado por um amigo a tocar tanto no tema, "pois falar em morte atrai a morte". Um assunto que certamente causa-lhe desconforto, principalmente depois das declarações do líder evangélico conservador Pat Robertson, que propôs o assassinato do presidente. "São palavras de um terrorista que deveria estar preso, de acordo com leis internacionais", desabafou.

Bush não poderia ficar de fora da festa. Foi ridicularizado, por ter "deixado os pobres de Nova Orleans morrerem afogados depois da passagem do Katrina. Em Cuba, Fidel conseguiu salvar até as galinhas". Um dos entrevistadores afirmou que Cuba não serve de exemplo, pois na Ilha não há democracia e, assim como na Venezuela, a miséria impera. Chávez não se fez de rogado. "Você já foi ao Bronx? Lá há miséria. E não se iluda, pois nos EUA não há democracia. Os pobres não votam. Além do mais, a primeira eleição de Bush foi fraudada. Em vez de gastar bilhões de dólares em armas, poderia ajudar a acabar com a fome e combater a epidemia de AIDS".

Markun termina o programa com uma pergunta folclórica: "o senhor acredita em Deus?". Após alguns segundos, Chávez mostrou bom humor. "Cada vez mais acredito em Jesus Cristo, o primeiro socialista da história. O primeiro capitalista é Judas Iscariotes, que vendeu Cristo por trinta moedas". Risos gerais.

Fim de programa, vem os agradecimentos. Fica a impressão de que mudanças são possíveis. E elas já começaram. Não posso deixar de registrar que, por uns instantes, quis embarcar no bonde da revolução bolivariana ao lado dos irmãos venezuelanos"


         # Jorge Cordeiro @ 00:46

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Johaben & Zorobabel
         terça-feira, outubro 04, 2005


         

Acabei de receber esses dois livros da Editora Record - Johaben: Diário de um Construtor do Templo e Zorobabel: Reconstruindo o Templo, ambos do Zé Rodrix. Já comentei sobre o Zorobabel aqui n'O Escriba (tá nos arquivos, 1o. de setembro). É romance histórico de primeira. Bem escrito e fundamentado. Zé Rodrix se revelando (pelo menos para mim) como um dos melhores escritores do país. Mal abri o pacote e já comecei a ler o primeiro volume. E não posso deixar de comentar as belas capas do Victor Burton, muito legais. Que venha logo o terceiro e derradeiro volume!


         # Jorge Cordeiro @ 11:59

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E o troféu Picareta vai para...

         


Judith Miller! Lembram do caso dela? É aquela jornalista do New York Times que foi presa por se recusar a revelar a fonte que lhe contou sobre a identidade de uma agente da CIA. Então, foi solta semana passada. Passou 80 dias na cadeia e virou símbolo da liberdade de imprensa. Só que a história não é tão simples assim.

Símbolo de liberdade de imprensa? A-hã, tá bom...


         # Jorge Cordeiro @ 01:28

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Tecnofobia
         segunda-feira, outubro 03, 2005


         

No ano 2000, quando ainda era um repórter de esportes, presenciei uma cena emblemática. Estávamos dezenas de jornalistas do mundo inteiro na imensa sala de imprensa de Interlagos burilando as palavras finais dos textos que seriam em breve enviados às redações mundo afora quando, de repente, um ruído estranho invadiu o ambiente: tec tec tec tec terectec terec terectec tec tec terec terectec tec. O barulho era familiar a todos ali, mesmo aos mais jovens. Terec tec tec terec tec, por vezes ficava tão alto que era irresistível tentar descobrir de onde vinha... terec tec tec terec tec... Não era possível, uma máquina de escrever no meio de tantos laptops de todos os modelos e tamanhos, um mais silencioso do que outro? Eu, que certamente era um dos mais jovens ali - no início dos meus 30 anos - fazia tempo que não ouvia aquele som nem via tal maquinaria. Em redação, só n'O Fluminense, nos idos de 1996. Depois, só no hall de entrada da casa do meu tio em Copacabana, onde jazia uma enorme Underwood do início do século passado.

Pois sim, era verdade, terectec tec tec terec terectec, lá estava ela, gigante por natureza, uma imensa e reluzente Olivetti sendo catamilhografada com certa destreza por um jornalista da velha guarda. Ele nem aí pros outros, continua absorto por suas idéias certamente geniais, que lhe garantiriam um bom espaço no jornal do dia seguinte. Terec tec tec tec, ah sim, de vez em quando tinha aquele som de sino (plim!), seguido de um ronco e uma pancada - era quando terminava o parágrafo e o sujeito tinha que acionar uma alavanca para posicionar o papel no início da próxima linha.

A curiosidade e os risos dos companheiros de trabalho do dino-jornalista foram substituídos por resmungos e, por fim, reclamações e pedidos de silêncio. E o cara lá terec tec terectec tec tec tec terec tec... Até que um alemãozão levantou-se, bateu no ombro do intrépido repórter e gritou "Stop!" Foi uma gargalhada só. O dino-jornalista tentou resistir mas acabou isolado num canto da imensa sala, onde o terec tec de sua máquina mal podia ser ouvido. Um alívio.

Lembrei dessa história ao ler o novo texto do Mário Sérgio Conti no NoMínimo, no qual o veterano jornalista - foi meu bigboss no JB - destila todo seu veneno contra internautas em geral. Na verdade, contra a tecnologia em si. Será que ele também é adepto das velhas e pesadas máquinas de escrever?

Lá pelas tantas, chega a fazer uma pergunta infame: "Em busca do tempo perdido" ficaria melhor se Proust tivesse acesso ao Google? Ora, já dizia meu pai, 'se' é irmão do 'quase' e primo do 'talvez'. Conjecturas como essas são impossíveis de serem respondidas. Vale como exercício para esquentar o papo numa mesa de bar, mas não se leva a sério.

As críticas feitas no artigo publicado online - veja bem, online! - provavelmente repetem o que Gutemberg ouviu lá em 1450, quando inventou a prensa tipográfica. "Quanta baboseira será escrita e divulgada por aí", vociferou o Conti do século 15.

O texto é preconceituoso, mas não surpreendente. Volta e meia esse discurso aparece por aí, dando super-poderes malígnos à internet. Já foi assim com a televisão, agora é com a rede mundial de computadores. Pedofilia, terrorismo, racismo, intolerância, não faltam argumentos aos adeptos da cultura do medo. O medo à liberdade ganha ares de cruzada moralista. E a internet é um alvo constante.

Conti está equivocado por não ter atentado para um simples detalhe: a internet é apenas uma ferramenta. Não cria nem gera nada.

Enquanto isso, a caravana passa: a Disney começa a ensaiar mudanças radicais no mercado de entretenimento. Quando esse negócio pegar pra valer, vai sacudir as estruturas como nunca.


         # Jorge Cordeiro @ 10:02

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Sem palavras
         domingo, outubro 02, 2005


         

Nada pra falar, mas ainda muito o que ouvir. Como o disco The Blues, de Nina Simone (1966). Impossível traduzir em palavras o quanto essa mulher canta. E com um repertório de primeira, fica bem mais fácil, imagino. Day and Night, Backlash Blues, The Pusher, My Man's Gone Now, enfim, coisa de primeira.

Quando ela começa a burilar com seu vozeirão:

I want a little sugar
In my bowl
I want a little sweetness
Down in my soul

I could stand some lovin'
Oh, so bad
Feel so lonely and I feel so sad

I want a little steam
On my clothes
Maybe I could fix things up
So they'll go

Whatsa matter daddy?
Come on, save my soul
Drop a little sugar in my bowl
I aint foolin
Drop a little sugar in my bowl...


Díficil ficar indiferente... Só a Nina mesmo pra evitar que eu detonasse blog, orkut e otrás cositas más. Tô de saco cheio.


         # Jorge Cordeiro @ 16:40

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