O Escriba
v2.0
Uma minoria só é impotente quando se amolda à maioria (Henry D. Thoreau)

O samba em sampa
         terça-feira, agosto 30, 2005


         
Estreiou hoje no Centro Cultural Banco do Brasil o projeto Brasil de Todos os Sambas, que reunirá todas as terças-feiras no bonito prédio da Álvares Penteado, no centro de São Paulo, vários bam-bam-bans. Os primeiros a darem o ar de sua graça são Monarco da Portela e Nei Lopes - eles tocaram no CCBB-SP agora há pouco, às 13 horas, e voltam às 19h30. Ingresso a R$ 6.

O legal é que representantes do samba de outras regiões estarão presentes - Bahia (dia 6), Maranhão (13), Minas Gerais (20) e, na última semana, São Paulo (27 de setembro). Estou particularmente curioso para ver a apresentação do pessoal de Minas (Sérgio Santos e Mamão).


         # Jorge Cordeiro @ 13:50

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Dica da Semana
         domingo, agosto 28, 2005


         

Bossa 'n' Stones: The Electro-Bossa Songbook of the Rolling Stones

(valeu Denise!!)


         # Jorge Cordeiro @ 12:16

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Webclips
         sexta-feira, agosto 26, 2005


         
Estes aqui são toscos e divertidíssimos. A animação mais recente é a do gato ninja, imperdível! Cheguei lá zapeando por blogs na internet. O ska que rola é da banda 7 Seconds Of Love, de Londres, e pelo que vi na agenda dos caras, tem rolado uns bons shows por lá. Ô Gabriela Boeing, confere e depois comenta aqui !!!


         # Jorge Cordeiro @ 10:26

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O Lada voltou
         quinta-feira, agosto 25, 2005


         
Até que ficou bonitinho, vejam aqui. Eu gostava do Laika, parecia uma caixa de fósforo ambulante, mas era simpático. E o Niva tinha fama de guerreiro. Conheci um cara em Conceição de Ibitipoca, em MG, que tinha um e se amarrava, ai de quem falasse mal. Só o fato do cara subir e descer aquela serra toda semana e o carro aguentar, já era um ponto positivo em favor do carro, que era de 1992! Pelo menos não é uma enganação como esse Ecosport, que de fora-de-estrada não tem nada, só a pose.


         # Jorge Cordeiro @ 13:40

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Googlemania
         quarta-feira, agosto 24, 2005


         
Mandei um monte de convites do Google Talk hoje cedo pruma galera, alguém ainda não recebeu e quer? O programa é uma mistura do ICQ/Messenger com o Skype, e integra-se perfeitamente com o Gmail - aliás, que não tem conta de email do Google, com mais de 2 gigas de espaço, passa a ter quando aceita o convite do Google Talk. Bom, quem quiser me avisa que eu mando o convite, blz?

Ainda na dúvida? Quer saber um pouco mais sobre o programa? Clique aqui!

É impressionante como esse pessoal do Google lança produtos e mais produtos interessantes, um atrás do outro. Primeiro foi o buscador, q revolucionou a Internet - como a gente trabalhava antes? Pelo menos no jornalismo é uma ferramenta indispensável. Depois veio o Gmail, o Desktop, o Google Maps e Earth, agora o Talk... o que virá depois?

Google é o oráculo do século 21!


         # Jorge Cordeiro @ 20:42

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Um prozac, por favor
         terça-feira, agosto 23, 2005


         
Saber que o Martim e a Sofia estão com seus pulmões em frangalhos, graças à negligência do nosso pediatra me tirou do sério hoje no final da tarde. O cara sempre falava que os moleques estavam bem e tal, mas a persistente tosse encatarrada de ambos mostrava o contrário. Convenci enfim a Ana a levar o Martim a um outro pediatra, que também é pneumologista. Uma segunda opinão sempre é bem-vinda. De quebra, levou a Sofia. Após uma bateria de exames, o resultado é que o Martim está com uma alergia grave (a poeira, leite e gatos... Tião e Mina procuram casa nova, alguém se habilita?) e Sofia terá que fazer fisioterapia para aliviar o pulmão.

E o antigo pediatra dizendo que está tudo bem, não é nada demais... Estou pensando seriamente em processá-lo. No mínimo, uma queixa ao CRM eu vou fazer.

Para completar, em seguida recebo um telefonema da polícia de São Bernardo do Campo avisando que encontraram nosso carro, roubado no início de junho. Mas a felicidade durou pouco. Só sobrou a carcaça... Não vale nem o custo de mandar um reboque buscar. Vai ficar de brinde pros policiais.

Quero um prozac...


         # Jorge Cordeiro @ 23:28

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Enterro

         

Taí, já tenho o modelo de enterro pra quando eu cantar pra subir... Vou deixar separado uma lista de músicas que quero como trilha sonora para o evento, mas na hora H, toquem Sonho de Amor, do pianista húngaro Franz Liszt, blz?


         # Jorge Cordeiro @ 11:10

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31 minutos

         


Zapeando neste fim de semana para tirar um pouco o Martim do Discovery Kids descobri o 31 Minutos do canal Nickelodeon. É um programa chileno de bonecos. Faz a paródia de um jornal, tem duração de exatos 31 minutos, mas no Brasil passa das 7h30 às 8h30 das noites de sábado e domingo. Os personagens são engraçadíssimos, com destaque para o super-herói Meia Man e os irmãos Guarennes, que cantam o sucesso Tangananica Tanganana. Aliás, um dos pontos fortes desse programa são justamente as músicas - já baixei as 31 do disco do programa e escuto no carro mesmo quando o Martim não está!

Para conhecer mais sobre o programa, seus personagens e suas músicas, clique aqui.


         # Jorge Cordeiro @ 10:46

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Parada d'O Escriba
         segunda-feira, agosto 22, 2005


         
Acabei de deixar meu carro no mecânico e lá ele ficará por 10 dias úteis. Por conta disso, tirei tudo que estava dentro dele, como os vários CDs que embalavam minhas viagens até o trabalho e de volta para casa no trajeto Santo Amaro-Nove de Julho todo santo dia. É a Parada d'O Escriba da semana:


Shameless - Therapy? (2001) - roquenrol acelerado e com boas sacadas.
Destaque: a faixa de abertura, Gimme Back My Brain


The Iggy Pop Tribute (1997) - Tributo a um dos caras mais doidos do roquenrol.
Destaques: as versões de Search and Destroy, por Red Hot Chilli Peppers; Gimme Danger, por Monster Magnet; Sick Of You, por Nada Surf, e Sell Your Love, por Extra Fancy.


Jardim Elétrico - Mutantes (1971) - Quarto disco do grupo que até hoje é o melhor que o Brasil produziu em termos de roquenrol. As bandinhas mudernas suam a camisa pra chegar perto, mas tá difícil...
Destaques: Top Top, It´s Very Nice Pra Xuxu e Virgínia.


Let It Be - Beatles (1970) - Essa é a versão produzida pelo Phil Spector, não a lançada posteriormente, sem os badulaques musicais (como orquestra de cordas e quetais) colocados pelo produtor.
Destaques: Two Of Us, I Me Mine, Let It Be, The Long and Winding Road, For You Blue, Get Back, ah, quer saber? O disco todo porra!


Selo Instituto na Coleta Seletiva (2005) - Coletânea lançada na última revista Outra Coisa, aquela do Lobão. O melhor CD lançado pela revista até agora, disparado.
Destaques: Cabeça de Nêgo Remix (Instituto & Sabotage); O Samba Chegou (Bonsucesso Samba Clube) e Poesia de Concreto (Kamau & Instituto).


         # Jorge Cordeiro @ 11:03

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Caso único?
         sábado, agosto 20, 2005


         
(Carta enviada pelo cineasta Fernando Meirelles ao Painel do Leitor, da Folha de São Paulo, e publicada no dia 17/8)

Impeachment
"Tenho uma forte reclamação a respeito da Folha. Questionado por e-mail, na sexta-feira, sobre minha opinião sobre um possível impedimento para o presidente Lula, escrevi uma resposta curta, mas claramente contrária à idéia. Chamei esse debate de oportunista e disse que cabe às urnas julgar Lula no ano que vem. Não havia margem para dúvida. A Redação, no entanto, conseguiu separar duas palavras da primeira linha da minha resposta e publicou apenas: "O cineasta Fernando Meirelles, por sua vez, acredita que existam "razões de sobra" para iniciar o debate". Com isso, inverteu completamente o sentido do que havia sido dito. Jornalismo da pior espécie. Começo a achar que pode haver mesmo um certo golpismo da oposição com o apoio da imprensa, interessada em criar climas para vender jornal. Eis as perguntas seguidas das respostas que mandei ao jornal. Pergunta: O senhor acredita que haja razões para abrir impeachment do presidente Lula? Resposta: Há razões de sobra, mas, como todos nós sabemos, nos últimos 30 anos, pouquíssimos políticos foram eleitos com verbas declaradas corretamente. Só que ninguém nunca foi punido por isso. Portanto, se houver o impeachment neste caso, serei forçado a concordar com Lula: terá sido mesmo um complô das "elites". Pergunta: O senhor acredita que haja condições políticas para isso? Resposta: O oportunismo e o interesse político dos adversários podem criar as condições para isso. Mas de um processo de impeachment é tudo o que o país não precisa agora. Há outras medidas a serem tomadas. Vamos brincar de democracia e deixar que as urnas decidam esta questão no ano quem vem, mas já com novas regras de financiamento de campanha."
Fernando Meirelles, cineasta (São Paulo, SP)


E para entender um pouco mais sobre essa confusão toda (já que a imprensa não ajuda muito...), eis aqui mais um bom texto.


         # Jorge Cordeiro @ 12:22

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Pra quem curte futebol
         sexta-feira, agosto 19, 2005


         
Mais uma contribuição de Valmir, o homem-shrek! Clique aqui e divirta-se com alguns dos lances mais bonitos e pitorescos que o futebol pode proporcionar. Não esqueça de aumentar o som!!

O meu lance preferido é o do cara de camisa listrada amarela e branca, em que ele salta e faz um movimento louco com o pé, passando a bola pro companheiro, antes de cair de volta ao gramado... E o elástico do Ronaldinho, bien sur!


         # Jorge Cordeiro @ 20:25

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Saco de gatos

         

Meu camarada Valmir recebeu este texto de um amigo e me repassou. Não resisti, vou compartilhar com vocês. Foi o melhor relato do li sobre a manifestação contra o governo que rolou esta semana em Brasília. Parece que foi baseado num texto do Estadão. Não vi, não sei se é mais uma lenda urbana, mas enfim, vale mesmo assim. A parte do tiozinho bebum é sensacional!

...em Brasília, a esquerda esquerdística fez um ato contra o Lula que foi uma mostra da zona que é o País. A matéria da Folha e a do Globo foram totalmente parciais porque não deram o clima do evento, dizendo apenas que os caras estavam pedindo o impeachment do Lula. Que nada. Quem leu o texto do Estadão viu que os organizadores são totalmente doidos. Eles queriam fora Lula (sem processo de impeachment), fora Congresso, fora PSDB e PFL, FMI e não-pagamento da dívida externa. Ou seja, aquela ladainha tipicamente idiota, feita por estudantes pelo estúpido do Zé Maria do PSTU.

O mais legal foi que um bando de anarquistas bêbados tomou a dianteira da passeata e começou com gritos de ordem do tipo "O povo unido, é gente pra caralho" e cantando "Eu bebo sim", enquanto entornavam garrafões de dois litros de pinga no gargalo. Um tiozinho gaiato famoso por participar de blocos de carnaval puxou outro grito: "O ovo frito, jamais será cozido". O Zé Maria mandou expulsar o tiozinho e teve de ouvir "stalinista, stalinista!". Aí o líder do PSTU subiu no carro de som e leu sua lista de impropérios dizendo que não adianta sair o Lula, mas todo mundo, que seriam substituído por um governo popular de tralhadores. A Heloisa Helena subiu para criticar o Zé Maria e por aí foi.

Se a movimentação popular pelo impeachment depender dessa esquerda aí, o Lula pode encomendar a segunda festa de posse.


         # Jorge Cordeiro @ 08:06

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colonos
         quinta-feira, agosto 18, 2005


         

Sou simpático à causa palestina pela posse da Cisjordânia e Gaza, mas acompanhando hoje de manhã pela TV a ação do Exército israelense para retirar os colonos dos assentamentos judeus naqueles dois territórios, fiquei impressionado com o desespero daquelas pessoas (o que dá pra notar na expressão desse garoto acima, em foto tirada num dos assentamentos). Me pareceram sinceras, angustiadas, revoltadas. Aqueles jovens que se refugiaram numa sinagoga e, abraçados, resistiram à retirada forçada, alguns chorando nos braços dos soldados, outros desmaiando provavelmente desidratados - parecia estar muito quente no local - protagonizaram cenas históricas. Muito li sobre a "violência" da retirada. Não foi o que vi. Não houve um conflito mais agressivo, um tiro, um tapa. Nada. Foi civilizada. Dolorida, mas sem violência.


         # Jorge Cordeiro @ 16:46

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Cultura nem tão inútil assim

         


Acabo de descobrir que minha adorada Fanta Laranja foi inventada em plena Alemanha nazista! O nome veio da palavra fantasia (ou imaginação), porque dizia-se na época que era preciso muita imaginação para sentir o gosto de laranja naquela mistura esquisita que tinha subprodutos industriais de queijo e presunto... eca!!

E outra: vc sabia que o Brasil é o maior consumidor mundial do produto?

Win Wenders e aprendenders...


         # Jorge Cordeiro @ 00:23

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Ah, vai...
         quarta-feira, agosto 17, 2005


         
Alguém viu o programa do PFL ontem à noite na TV? "Eu, senador Jorge Bornhausen, estou tão chocado quanto você (sobre os escândalos de corrupção)". Ah, peralá, senador!! Pra cima de moi?

Mas não tem jeito, vamos ter que aturar esse tipo de coisa durante muito tempo ainda...


         # Jorge Cordeiro @ 13:46

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Unidos

         

Na França, Le Pen e a extrema-esquerda se uniram contra a união política da Comunidade Européia. Aqui, PSOL, PSTU e Prona dão as mãos contra Lula e o PT. Não falei que Heloísa Helena e Enéas estão cada vez mais parecidos?


         # Jorge Cordeiro @ 12:54

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A lista

         

E a tal da Jeany Mary Corner, heim? Tem até capa da Playboy na sua lista de 'recepcionistas' disponíveis para festas em Brasília. E sua agenda de contatos já é mais temida do que as de Marcos Valério, Duda Mendonça e Toninho Barcelona juntas!

A pergunta que não quer calar é: quem é a tal gostosa, que só sai com figurão de Brasília?!?!? Façam suas apostas!!


         # Jorge Cordeiro @ 11:18

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sabedoria estudantil
         terça-feira, agosto 16, 2005


         
Bordão entoado durante o protesto de estudantes realizado hoje em Brasília:

É ou não é, piada de salão, o neto do ACM, falando de corrupção

Tá ficando famoso, heim ACMzinho?


         # Jorge Cordeiro @ 16:42

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Senso de oportunidade

         

Logo após publicar a nota Mico, que está aí embaixo em algum lugar, fazendo coro às críticas à revista Época pela publicação tardia da entrevista com o presidente do PL, Waldemar Costa Neto - a Carta Capital já dera o assunto em 2002 - iniciei uma civilizada discussão por email - como sempre acontece, sobre assuntos variados - com meu amigo Ricardo Amorim, que trabalha na Época. Meu argumento era de que a revista da editora Globo requentou um assunto velho, não justificando o alarde que fez semana passada ao antecipar a edição. E mais do que isso: vendeu como exclusiva uma informação já conhecida por todos.

Ele defendeu como exclusiva a entrevista com o Waldemar e não uma colagem do que fora feito em 2002 pela Carta Capital. Há uma série de fatos novos na entrevista (nem tão novos, mas expostos somente agora) e mais do que isso: um dos personagens daquela histórica reunião em Brasília entre Lula, Zé Dirceu, Zé Alencar, Delúbio e Waldemar decidiu falar em 'on', dando a cara a tapa.

Ok, vc venceu, batata frita...

Na ótima matéria do Bob Fernandes (por onde andará? seus textos fazem falta...) da Carta Capital, a reunião é descrita em quatro ou cinco parágrafos, mas não traz nenhum depoimento, declaração ou entrevista de nenhum dos personagens. Ponto para a Época - mesmo que três anos depois...

Admito que a entrevista da Época é exclusiva e um passo adiante da matéria de 2002. Realmente, o pessoal da Carta Capital (e eu também) viajou um pouco ao classificar de fraude o material da concorrente. O cara decidiu falar e a revista, publicar. Tá bom pra vc? tá bom pra vc? então publique-se! Jornalismo é senso de oportunidade. Assuntos mornos hoje são quentes amanhã e vice-versa. E o timing para a entrevista do Waldemar não poderia ser melhor - no meio da pancadaria contra o governo e o presidente.

Mas continuo achando o assunto um tanto quanto requentado, tanto que ninguém mais está dando muita bola pra ele... Como eu havia dito ao Amorim, Waldemar Costa Neto não derruba ninguém...

De qualquer forma, reconsidero minha posição. E bola pra frente!


         # Jorge Cordeiro @ 09:56

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Como é bom ler 2
         segunda-feira, agosto 15, 2005


         
Agora quem escreve é João Sayad:

Mentiras

Cinco horas da manhã, seu Abdo, 75 anos, abriu a porta com cuidado para não fazer barulho e não acordar a mulher. Ao entrar, os aromas noturnos do quarto invadiram suas narinas. Seus ossos cansados aguardavam o aconchego dos lençóis depois de mais uma noite divertida perambulando pelo Rio. Ia pendurar o chapéu no cabide, quando dona Amália se virou na cama e resmungou: "Ô velho, não tem vergonha de chegar em casa a essas horas?" "Não estou chegando, estou saindo." Pôs o chapéu na cabeça e apesar de exausto saiu novamente para a rua.

Mesmo que não exista a verdade, existem vários tipos de mentira. Mentira é a expressão distorcida da convicção de verdade de quem fala.

A mentira do seu Abdo foi um tributo de respeito a dona Amália.

O médico mente por compaixão. Os contratos de seguros têm cláusulas com letras miúdas que revelam as mentiras comerciais das letras graúdas para quem ler com cuidado.
O ciúme transforma a verdade em uma infinidade de mentiras. A regra de ouro do adúltero é negar, até o fim, o adultério. Papai Noel e cegonhas que trazem nenéns nascidos em repolhos são mentiras graciosas que incentivam a imaginação das crianças. Nascem e morrem naturalmente, sem escândalo. São lembradas com carinho pelas crianças quando emancipadas e adultas.

Os edifícios têm salas, as casas têm quartos. Nos escritórios, há conversas que não podem ser ouvidas; em casa, há coisas que não podem ser vistas. O que se diz para o adulto não se diz para a criança. O que o médico sabe o paciente não pode saber. O convívio humano só é pacífico se for segregado por paredes, interrompido por viagens. A política negocia conflitos insolúveis que exigem discursos ambíguos e conversas particulares.

Os depoentes das diversas CPIs mostraram a existência de caixa dois, sonegação fiscal e evasão de divisas. Jornalistas escrevem indignados, alguns deputados falam em impeachment e o país mergulha mais fundo na crise política.

Evasão de divisas não é crime no Brasil há pelo menos dez anos. A sonegação fiscal não deveria surpreender nem empresários, nem auditores fiscais, nem publicitários, nem jornalistas, nem parlamentares. Por que carregar grandes quantidades de dinheiro na cueca ou em malas se não houvesse sonegação fiscal e caixa dois?

Quem não sabia? Operários, funcionários públicos, costureiras, marceneiros, barbeiros, taxistas, a maior parte dos brasileiros. A elite empresarial, sindical e intelectual sempre soube, mesmo que não quisesse saber.

O escândalo não é a descoberta da mentira. Escândalo é a revelação oficial transmitida pela televisão para um Brasil estupefato de um segredo que não podia ser revelado.

O mistério é saber por que foi revelado.

A indignação da elite é mentirosa. O escândalo, artificial.

A indignação dos brasileiros simples é perigosa. Instituições políticas e democracia dependem de mentiras.

Viveremos muitas semanas ansiosos por saber como a revelação da verdade produzirá outros arranjos políticos, outra democracia e outras mentiras.


         # Jorge Cordeiro @ 11:42

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Como é bom ler

         

Um bom texto do Emir Sader:

Ética na política, política da ética

A crise atual não absolve os partidos que governaram o Brasil ao longo de toda sua história, mas condena o PT, ao igualar-se a eles. Quem são o neto de ACM, Álvaro Dias, o PFL e os tucanos – todos protagonistas diretos não apenas da compra de votos para a reeleição de FHC, como da maior dilapidação do patrimônio público mediante as privatizações – para erigirem-se em arautos da moralidade e dos interesses públicos no país?

Nenhum deles ficou melhor, apenas uma parte dos dirigentes do PT é que piorou, ficou igual a eles. O que não os faz melhores do que essesdirigentes – ou ex-dirigentes – petistas.

A construção de maiorias parlamentares mediante favores, entrega de cargos, financiamentos, favorecimentos e entrega de recursos monetários sempre fez parte da política brasileira. Os governos Sarney, quando obteve um quinto ano de mandato, Collor, como método de governo, e FHC, inclusive para conseguir seu segundo mandato, para não ir mais longe, usaram e abusaram desses meios.

O grave é que o PT também o faça. Um partido que se notabilizou, entre suas principais características, pela luta pela moralização da política, que podia enumerar trabalhos sistemáticos de controle e de denúncias de atentados aos interesses públicos, além de vários governos municipais, em que pôde demonstrar – pelo menos em uma parte importante deles, como em Porto Alegre, Caxias do Sul, Belém, Recife, entre outros – um espírito público inovador na política brasileira.

O objetivo maior do bloco que comanda as denúncias atuais – que vai da grande mídia monopolista, passando pelos partidos da direita e chegando a parlamentares que se pretendem de esquerda, mas que não conseguem se diferenciar dos da direita, especialmente quando se sentem diante das câmaras de televisão – não é nem o de destruir o governo Lula, embora possam alimentar essa esperança, mas derrotar a esquerda, mediante o massacre do PT. Quem lê os jornais e as revistas – da Folha ao Globo, do Estado à Veja, se dá conta do ódio de classe, revestido de defesa da moralidade na política.

Uma vez Delfim Netto disse que em algum momento o PT teria que vencer, fracassar, e aí "poderíamos governar o país com calma". Esse é o programa da coalizão que se vale dos graves erros do PT para tentar impor uma derrota estratégia à esquerda, que deixe inscrito na história brasileira e no imaginário das pessoas que a esquerda ganhou, fracassou, se envolveu em corrupção, e assim dilapidou a oportunidade histórica de transformar o Brasil, como sempre prometeu.

Emir Sader, professor da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), é coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da Uerj e autor, entre outros, de "A vingança da História".


         # Jorge Cordeiro @ 11:19

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Mico

         

A 'bombástica' entrevista do presidente do PL, Waldemar Costa Neto, na revista Época, não passou de matéria requentada da Carta Capital, que publicou a história três anos atrás... Veja aqui. Para ler a matéria original, clique aqui.

A revista Época fez um puta estardalhaço na semana passada, antecipou distribuição da revista para sexta-feira (normalmente sai no sábado) e teve repercussão nacional. E agora, como reagirão? Vão pedir desculpas? Vão ignorar o assunto? A ver...

De qq maneira, que mico, heim?


         # Jorge Cordeiro @ 11:06

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Eureca!
         domingo, agosto 14, 2005


         
Ae, sabe o que todo esse imbróglio político no Brasil lembra pacas? Aquela cena do filme Monty Python: Live At The Hollywood Bowl, de um jogo entre filósofos, Alemanha x Grécia. O juiz, Confúcio, inicia a partida e ninguém pega na bola, fica todo mundo pensando em campo, Heiddeger, Hegel e Kant de um lado, Aristóteles, Platão e Sócrates do outro. Eis que o time da Alemanha faz uma substituição, vai entrar Karl Marx (no lugar de quem? Não lembro...), ele parece animado, faz aquecimento na beira do campo, Confúcio dá permissão pra ele entrar e... depois de uma disparada até o meio-campo, o autor de Das Kapital se junta aos outros, com a mão no queixo, olhando pra cima e pra baixo, pensando também... Até que Arquimedes grita: Eureca! Pega a bola, toca pra Platão, que encontra Pitágoras livre, tabela com Aristóteles e é goooool, golaço!!! E segue uma puta confusão, com os filósofos alemães discutindo com Confúcio sobre a inexistência do gol enquanto ser e a tautologia do impedimento!!


         # Jorge Cordeiro @ 22:28

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CPI da Imprensa

         

Ou um e outro mentem, ou tem gente sonegando informação... E aí?

Por essas e outras já há quem sugira uma CPI da Imprensa.


         # Jorge Cordeiro @ 11:23

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Redescoberta

         


Mais uma bela aquisição pra minha DVDteca. Meu camarada Flávio Freire me liga das Lojas Americanas, meio esbaforido e diz: "Ô pangaré, encontrei o DVD da Fantástica Fábrica de Chocolate, o filme original, vai querer? Só tem dois." Aceitei na hora, R$ 19,90, já que meses atrás tive a chance de comprar e deixei passar, pra nunca mais encontrar por esse preço. Sim porque pago no máximo R$ 20 por DVDs e R$ 12 por CDs. O resto é roubo...

Não via o filme há pelo menos 30 anos, por aí. E fiz redescobertas. Como era psicodélica essa fábrica! Não vi a versão nova, deve ser um espetáculo também, mas o toque agridoce de 1971 - graças ao genial Gene Wilder - é de tirar o fôlego. Tá certo que a parceria Johnny Depp/Tim Burton sempre nos reserva agradáveis surpresas e com a Fantástica Fábrica de Chocolate não deve ter sido diferente...

Não sou fã de musicais (nem sei se a nova versão manteve essa linha), mas até que aqui não me incomodou tanto. A música de abertura (Candy Man, do Sammy Davis Jr.) e as intervenções dos Oompa Loompas são ótimas. Mas viagem mesmo é aquela que Wonka/Wilder canta no barco que eles pegam no rio de chocolate, rumo à fábrica propriamente dita:


Round the world and home again
That's the sailor's way
Faster faster, faster faster
There's no earthly way of knowing
Which direction we are going
There's no knowing where we're rowing
Or which way the river's flowing
Is it raining, is it snowing
Is a hurricane a-blowing
Not a speck of light is showing
So the danger must be growing
Are the fires of Hell a-glowing
Is the grisly reaper mowing
Yes, the danger must be growing
For the rowers keep on rowing
And they're certainly not showing
Any signs that they are slowing


         # Jorge Cordeiro @ 10:36

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Série 10 x 0 filme
         sábado, agosto 13, 2005


         

Assisti há pouco na Globo ao décimo e último episódio da série Carandiru - Outras Histórias, que foi uma espécie de extensão do filme Carandiru, de Hector Babenco. Achei bem mais interessante do que o filme, que é um apanhado mal trabalhado de boas histórias, com personagens fortes dirigidos frouxamente por Babenco. Tá certo, foi um puta sucesso de público em 2003 (mais de 4 milhões de espectadores) mas isso não quer dizer nada.

Na série, no entanto, Babenco acertou a mão, acompanhado de Walter Carvalho e Roberto Gervitz. A direção de Outras Histórias tem densidade e sensibilidade, com uma fotografia mais bem cuidada, movimento de câmera mais ágil, e enquadramentos menos caretas. É covardia comparar.

E vale também porque Carandiru - Outras Histórias é uma produção independente, não é da TV Globo. Nota-se logo pela qualidade do material. As produções da Globo, com raras exceções - como A Grande Família - notabilizam-se pela mediocridade de iluminação, cenários e atuações dos atores (culpa direta dos diretores). A abertura da vênus platinada para produções independentes como essa e Cidade dos Homens (que também é filhote de um filme de telona, Cidade de Deus) dá uma lufada de qualidade na programação que parece não ter volta. Ainda bem...

Bom, espero que Carandiru - Outras Histórias saia logo em DVD. Se vier com o filme de bônus, blz. Mas não faço muita questão...


         # Jorge Cordeiro @ 00:27

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É Severino!!
         sexta-feira, agosto 12, 2005


         

Caraca, se o Lula cair na semana que vem, como estão dizendo, e o José Alencar for junto - afinal, é do PL e também está metido nessa falcatrua toda -, quem assume a Presidência da República é ninguém mais, ninguém menos do que Severino Cavalcanti! O Brasil merece!

E em 2006, segundo essa última pesquisa do Datafolha, é Serra na cabeça. Que beleza!! Pra frente Brasil!!


         # Jorge Cordeiro @ 20:31

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Coveiros

         

Da coluna do Ancelmo Gois, no jornal O Globo:

O que têm em comum Roberto Jefferson, Marcos Valério e Duda Mendonça? É que os três coveiros do PT, até a eleição de 2002, não tinham relação nem com o partido, nem com Lula. Mas não foram eles que aderiram ao PT. Foi o PT que aderiu a eles.


         # Jorge Cordeiro @ 11:46

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Ressaca

         

Texto do blog do Moreno:

A ressaca que sinto é a mesma daquela madrugada de 25 de abril quando o Congresso derrotou a emenda das Diretas.
Agora, não vejo nenhum personagem da política destruindo sonhos e criando tempestades. Não é o trombone de ACM nem a sede de poder do insaciável Serra e tampouco a vaidade de FH. Vejo figurantes do cenário, gente de quinta, pessoas cujos nomes passamos a conhecer somente agora. Bem faz o presidente de não querer baixar a cabeça para elas.
Quando se escrever a triste história desta derrocada, os historiadores terão de explicar quem foram Delúbio Soares e Marcos Valério. Será uma missão difícil, já que as biografias desses elementos em nada diferem de suas carteiras de identidade: só têm filiação, data e local de nascimento.


         # Jorge Cordeiro @ 11:25

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O pior está por vir

         

Há uma certa comemoração no ar, entre setores da imprensa, oposição e sociedade em geral com a revelação de que a direção do PT usou o mesmo esquema sujo de financiamento de campanha que seus arqui-rivais, colocando assim em xeque o governo Lula. Xeque-mate, eu diria. Dinheiro em contas de paraísos fiscais, milhões inexplicáveis pra lá e pra cá, empréstimos escusos, um gigantesco caixa 2, tudo que sempre criticou-se e condenou-se foi usado e abusado sem cerimônia. Decepção...

Agora, claro, aproveitam para empurrar goela abaixo da opinião pública a teoria do mensalão, mesmo que os fatos a desmintam. Roberto Jefferson atirou no que viu e acertou no que não viu (ou viu e não quis dizer que viu...), mas não importa, o 'mensalão' vai passar para a história como verdade, assim como a montagem pelo PT de um inédito esquema de corrupção. Sim, porque até aqui, as eleições no Brasil sempre foram limpas...

Mas não importa. O pior está por vir. O PT paulista, que sempre cagou regra da ética, passou cheio de moral por cima de vozes dissonantes, sem dó nem piedade, para chegar ao poder usando ao que parece até o momento o mesmo esquema de sempre, abrindo as porteiras para velhos conhecidos nossos. E agora, a quadrilha que assalta o Brasil há 500 anos está voltando por cima da carne-seca e vai ter pelo jeito mais uns 500 pra se refestelar... Foi uma autêntica vitória de Pirro essa do PT. Valeu à pena chegar ao poder dessa forma?

A perplexidade que o depoimento do Duda Mendonça provocou ontem em vários deputados e senadores do partido foi comovente. Também me senti traído, surpreso, boquiaberto - e não sou filiado ao PT. Mas não vejo nada o que comemorar. Esse baque significa apenas que o velho coronelismo político voltará com força total ao poder. ACMzinho, Eduardo 'Viva a CPI, porra!' Paes, Arnaldo Faria de Sá, Álvaro Dias, Alberto Goldman, Jorge Bornhausen, Antônio Carlos Magalhães, enfim, esse pessoal que me dá náuseas, vai deitar e rolar. E o pior, com pose de heróis, defensores da ética e bons costumes, arautos da honestidade... Babá, Heloísa Helena (cada dia mais parecida com uma Enéas de saias) e afins também vão dar umas bicadas na carniça petista, mas não mais do que isso. Quem vai degustar as entranhas do poder mesmo são os velhos políticos de sempre. Tudo às custas da confiança que milhares de eleitores e muitos políticos de primeira, que saem desse episódio todo com muitas facadas nas costas, depositaram num projeto político maquiado.

Esse episódio todo me lembrou um velho livro, Revolução dos Bichos, do George Orwell, em que os porcos após liderarem os animais de uma fazenda na tomada do poder dos homens, passam a comandar e agir como os homens. Triste.

Por essas e outras, a partir de agora - e até que me provem o contrário -, meu voto nas urnas eletrônicas vai para o número 666, que representa bem a política brasileira, seus interesses, seus atores, seus defensores, seus arautos, suas 'vejas' e 'folhas'.


         # Jorge Cordeiro @ 10:00

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Sem rosa, nem nada
         quarta-feira, agosto 10, 2005


         

Os americanos, como sempre, eficientíssimos...
Croco Press

Fiz este pequeno texto para ser o editorial da revista do Greenpeace. Ainda não foi aprovado, mas gostei e vou dividi-lo com meus parcos e fiéis leitores. Só pra não dizer que não falei de flores...

Mas oh não se esqueçam da rosa de Hiroshima, estúpida e inválida, pedia uma antiga canção de Vinicius de Moraes. Na delicada voz de Ney Matogrosso, o poema ecoava os lamentos dos que desapareceram na cidade japonesa no fatídico dia 6 de agosto de 1945. A bomba atômica americana de 60 anos atrás não apenas destruiu milhares de vidas como também lançou uma pesada sombra sobre o planeta – a da era nuclear. Mesmo assim, muitos países se lançaram na perigosa aventura de geração de energia por usinas nucleares, e com o Brasil não foi diferente. Construímos duas usinas caras e ineficientes, e estamos no limiar da construção de uma terceira, Angra 3. Parece que a rosa de Hiroshima foi esquecida. Ou pelo menos ignorada. Bem como as vítimas do Césio-137, em Goiânia, e do acidente da usina de Chernobyl, na Ucrânia. Mas temos que lembrar sempre que essa rosa não tem perfume, nem rosa, nem nada.


         # Jorge Cordeiro @ 10:59

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Pra alegrar esse blog
         segunda-feira, agosto 08, 2005


         
Vamos melhorar o astral desse blog. Xô baixo astral! Xô mau-humor!! Eis algumas fotos tiradas no fim de semana.


Olha que coisa mais linda, mas cheia de charme...
Croco Press


Sofia pegando um solzinho
Croco Press


Com a mãe no clube Pinheiros
Croco Press


No Parque Água Branca
Croco Press


No clube Pinheiros, mais feliz que pinto no lixo
Croco Press


"Ô mãe, então, vou ali me jogar naquela poça de lama..." "Heim?!?"
Croco Press


Com a amiguinha Isabel
Croco Press


Denise, Ana, Sofia, Bel e Martim
Croco Press


         # Jorge Cordeiro @ 20:38

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Caiu mesmo?

         

Como não consigo mais ir ao cinema, o jeito é me contentar com o que a TV oferece. Ou com os bons DVDs que de vez em quando a gente acha nas bancas. Sexta passada, por exemplo, comprei Tommy, a ópera-rock do The Who, R$ 19,90. E também Alice no País das Maravilhas, versão Disney para o clássico do Lewis Carrol. Não lembrava o quão psicodélico é o filme... A lagarta que fuma narguilê e o chapeleiro maluco são demais!

Mas esta semana nós, os pais que não podem sair de casa por causa dos filhos pequenos, ganharemos um bom programa para as noites de quarta e domingo. Estréia a série documental Morte na Escadaria, no GNT. A estréia oficial é quarta-feira, às 21h, mas no meu caso será no domingo (20h), quando rola uma reprise.

São oito capítulos que tratam do julgamento de um jornalista/romancista americano acusado de matar a esposa. O caso foi em 2001. O documentarista francês Jean-Xavier de Lestrade acompanhou a família, as discussões dos investigadores e fez uma espécie de 'reality show'. Pelo o que entendi, ele começou a rodar duas semanas depois do crime, em cima do lance. Parece que o cara é inocente, mas sei lá, americano é tudo doido. A quantidade de sangue que aparece na escadaria, numa das cenas de apresentação, é bem estranha... A mulher caiu ou foi 'caída'? Vai saber...

Quem quiser acompanhar passo-a-passo a história, ver este site.

(tô meio gripado ainda, daí o papo-chato.com... foi mal ae...)


         # Jorge Cordeiro @ 11:51

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Domingo de sol
         domingo, agosto 07, 2005


         
Tô cansado. Meio gripado também. Levantei cedo, preparei uma boa vitamina de banana e morango pra gente (ainda tem um pouco, aliás, vou lá terminá-la...), dormi mais um pouco no sofá, mas foi pouco mesmo. Logo a Ana me acordou pra levantar acampamento e levar a tropa pro Clube Pinheiros, onde passamos a parte da manhã à convite da Denise, que tava lá com a Isabel, amiguinha do Martim.

Clube não é muito minha praia, mas o Martim se divertiu a valer. Rolou na areia, correu pra lá e pra cá, ficou encharcado. Uma beleza. Aproveitei o tempo bom, sol a pino, pra tirar umas fotos da família - em breve neste blog - e eliminar um pouco da poeira de minha velha F3 guerreira. Um gatorade de tangerina me deu energias pra correr pra cima e pra baixo atrás do baixinho, que estava a mil (só pra variar...).

Almoçamos numa churrascaria do clube e definitivamente não sou mais tão adepto dos prazeres da carne. Dois pedaços de carne e já não me animo a prosseguir. Acho que é o calor, inibe o apetite, dou preferência aos sucos. A gripe também contribui pra deixar tudo meio sem sabor.

Com a Sofia meio impaciente, chorosa, decidimos ir embora, não sem antes bater uma bolinha com Martim, até pra cansá-lo um pouco e ele dormir à tarde, dando uma folga pra eu poder fechar o frila do Greenpeace. Quero terminar também o Vida Digital, livro do Nicholas Negroponte, faltam apenas umas 25 páginas. A estratégia deu certo e o rapaz já estava nos braços de morfeus quando chegamos em casa. Idem com Sofia.

Enfim, divagação pouca é bobagem, deixa eu terminar o que tenho que fazer por aqui... a começar pela vitamina...


         # Jorge Cordeiro @ 15:00

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Boa leitura
         sexta-feira, agosto 05, 2005


         
Mais um texto brilhante de Luis Fernando Veríssimo:

'Schadenfreude' explica

Deve haver uma grande palavra em alemão que signifique "há uma grande palavra em alemão para tudo". Por exemplo: não existe em outra língua — talvez por pudor — um equivalente ao alemão "Schadenfreude", que quer dizer sentimento de prazer com a desgraça dos outros. Uma versão brasileira da palavra está fazendo falta na cobertura desta crise. Desde que surgiram as primeiras revelações da lambança em que o PT se meteu, um "Schadenfreude" generalizado tomou conta do país. O PT não está pagando só pelo que fez, está pagando pelo que era, ou dizia que era, e o tamanho e a alegria do "Schadenfreude" à sua volta são proporcionais à sua antiga pretensão à superioridade moral. Mas também se festeja a desgraça do PT como uma derrocada terminal da esquerda, da qual não sobraria vestígio depois de tudo isto acabado. É o "Schadenfreude" ideológico. Deve haver outra palavra em alemão, ainda maior, para isto.

"Schadenfreude" com "Schadenfreude" se paga. Como alguns respingos da lambança têm atingido outros partidos e outros governos, fica-se na espera para comemorar cada nova prova de que o PT não foi bandido sozinho e que o esquemão vem de longe. Mas é uma batalha de "Schadenfreudes" desigual. Governistas acuados não estão com ânimo para festejar o que quer que seja e o clima reinante na nação é o de arrasa-PT. As teorias conspiratórias ficam cada vez mais débeis, embora eu ainda defenda minha favorita, a de que se trata de um golpe de radicais do próprio PT que querem derrubar Lula e Palocci e colocar José Alencar na Presidência. (Finalmente um governo de esquerda!) E a idéia de uma conspiração conservadora peca por inconsistência semântica. "Conspiração" quer dizer movimento à margem da normalidade contra um poder estabelecido. Como a normalidade é hoje o que sempre foi, a direita com o poder não importa quem esteja no palácio, conspiração conservadora é um oximoro, minha outra palavra difícil do mês.

Quando o Fernando Henrique disse que seu governo agora pertencia à História e portanto não cabia investigá-lo, estava falando da História como um refúgio, com blindagem permanente contra ameaças retroativas. Com toda a razão. A comparação da História do Brasil com uma espécie de asilo para o patriciado, à prova de remorsos, é irretocável. Assim tem sido desde o primeiro Pedro (o Álvares Cabral).

Como não é do patriciado, Lula não terá direito ao conforto do esquecimento, quando também virar história.

Nosso consolo é que não deve existir uma palavra em alemão mais expressiva, para tudo isto que está acontecendo, do que "lambança".


         # Jorge Cordeiro @ 20:21

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Mais Franklin

         

Trecho de entrevista dada por Franklin Martins à revista Imprensa.

P - Quem deve herdar o vácuo político deixado pelo PT, sobretudo no campo da esquerda?

Franklin - Essa é uma das interrogações mais interessantes do momento. Converso com outros jornalistas e políticos e faço a mesma pergunta. O PT tem hoje 90 deputados. Dizem que o PT não elege 60 na próxima Câmara. Ok, concordo. Mas quem é que vai ficar com esses 30 deputados do PT? Para onde eles vão? Para o PFL, PSDB ou PSOL? O PSOL vai eleger no máximo 5 deputados. Eu me surpreenderia se eles se elegessem mais que isso. A Heloisa Helena se for candidata a deputada - e não a presidente - corre o risco de não se eleger em Alagoas. Ela precisa de 12,5% dos votos do estado para eleger um deputado. É voto que não acaba mais. Também acredito que o Baba não se eleja no Pará. A Luciana Genro pode ser que se eleja no RS. Vamos deixar claro o seguinte: o eventual fracasso do governo Lula fortalece as correntes conservadoras do país, a direita, e não as correntes e partidos a esquerda do PT. Se o Lula for derrotado, será pela direita. E vai demorar muito tempo para surgir um novo governo de esquerda.


         # Jorge Cordeiro @ 10:13

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Frase da semana
         quinta-feira, agosto 04, 2005


         
"Temos que deixar a fogueira queimar até o final e depois separar o que é cinza do que é madeira" (Franklin Martins, comentarista político do Jornal Nacional, sobre o que deve-se esperar das investigações sobre os escândalos de corrupção que tomaram conta do noticiário)

Aliás, quem quiser saber dos bastidores das inúmeras CPIs que acontecem em Brasília, quais os principais atores, quem é quem nesse imbroglio todo, recomendo o blog do Moreno, do jornalista Jorge Bastos Moreno, um dos caras mais bem informados do jornalismo brasileiro. E bem menos debochado e rancoroso que o Noblat, cujo blog também recomendo, apesar dos pesares...
(Para acessar páginas d'O Globo, é preciso fazer um cadastro. Mas é vapt-vupt, depois nunca mais).


         # Jorge Cordeiro @ 21:23

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Lost na Globo
         terça-feira, agosto 02, 2005


         
Uma boa notícia: a primeira temporada do seriado Lost, que tem passado nos canais AXN e Sony, foi comprada pela TV Globo. Ver aqui. Como perdi boa parte dos capítulos iniciais, porque sempre estava no trabalho na hora que estava passando (20h de segunda-feira na AXN), comemorei quando li a nota. Agora é esperar que o pessoal da Globo consiga logo um espaço na grade pra passar essa série que tem uma história muito bem elaborada. Que tal no horário daquela bobajada que é o Zorra Total?

Em tempo: a música do comercial comentado abaixo é Can You Touch Me, do grupo The Film. Ao garimpo, bucaneiros!!


         # Jorge Cordeiro @ 20:21

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É brincadeira
         segunda-feira, agosto 01, 2005


         
Filme publicitário de carro de luxo geralmente é sempre aquela história: música neo-clássica ao fundo, o veículo deslizando por ruas praticamente desertas (e limpas toda vida), motorista elegante (ele ou ela) chegando a um lugar nobre (teatro, restaurante, mansão), tudo intercalado com breves imagens de seu interior impecável.

Mas domingo vi um anúncio diferente na TV, do Peugeot 407. O modelo da fábrica francesa circula por uma cidade comum. Um detalhe no entanto chama a atenção: todos os carros que circulam são de brinquedo - só o 407 não é, atraindo a atenção de todos.

Tem aquele de corda, os de madeira , os de polícia com sirene e dois ocupantes pintados no pára-brisa de mentirinha, e aqueles tradicionais carrinhos 'lego' também.



E desses carros de mentirinha entram e saem pessoas reais, tendo que lidar com as limitações dos carrinhos de brinquedo. Em alguns casos, o cara tem que levantar o veículo para o passageiro sair! Na hora de guardar o carro, é usada uma caixa. No final do anúncio, aparece: 'playtime is over' (a brincadeira acabou). É muito bom! Quem quiser conferir, clique aqui para baixar o arquivo.

O filme foi criado pela agência BETC Euro RSCG, de Paris para o lançamento do novo modelo Peugeot 407, que substitui os modelos 504, 405 e 406 da fabricante francesa. E com toda justiça foi premiado no Festival de Cannes com o Leão de Ouro.


         # Jorge Cordeiro @ 00:33

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